Na região da América Latina e do Caribe (ALC), a expectativa de vida ao nascer continua aumentando em média, apesar do início da crise da COVID-19, impulsionada pela redução constante da mortalidade em todas as idades, e particularmente da mortalidade infantil e na infância em todos os países (ver indicadores "Mortalidade infantil" e "Mortalidade em crianças menores de 5 anos" nas seções seguintes). Esses ganhos em longevidade podem ser atribuídos a vários fatores, incluindo o aumento do padrão de vida, melhor nutrição e melhoria nas instalações de água potável e saneamento (ver o indicador "Água e saneamento" no Capítulo 4). Estilos de vida mais saudáveis, maior escolaridade e maior acesso a serviços de saúde de qualidade também desempenham um papel importante (Raleigh, 2019[1]).
A expectativa de vida ao nascer para toda a população da região da ALC atingiu 74,5 anos em média em 2024, um aumento de 2,4 anos desde 2010. Em comparação, os países da OCDE registraram um aumento de 2,0 anos durante o mesmo período (Gráfico 3.1, gráfico da esquerda). No entanto, persiste uma grande disparidade regional na expectativa de vida ao nascer. Os países com a maior expectativa de vida em 2024 foram o Chile e a Costa Rica, com cerca de 81 anos, seguidos de perto pelo Panamá, com pouco menos de 80 anos. Em contrapartida, dois países da região da ALC apresentaram expectativas de vida totais inferiores a 70 anos (Haiti e Bolívia). No Haiti, uma criança nascida em 2024 pode esperar viver, em média, 65 anos.
As mulheres tendem a viver mais do que os homens (Gráfico 3.1, gráfico da direita), mas o grau dessa disparidade também varia entre os países. Em 2024, a diferença de expectativa de vida entre os sexos era de 6 anos, em média, nos países da ALC33, superior à média dos países da OCDE, de 5,1 anos. A diferença entre os sexos foi particularmente grande em El Salvador, com uma disparidade de mais de 8,5 anos, bem como na Venezuela, em São Cristóvão e Nevis, em Santa Lúcia, nas Bahamas e no Uruguai, com disparidades de sete anos ou mais. As mulheres também apresentam taxas mais elevadas de sobrevivência até os 65 anos (Gráfico 3.2), independentemente da situação econômica do país. Em média, nos países da ALC, 84,1% de uma coorte de recém-nascidas viveriam até os 65 anos, enquanto apenas 74,1% dos recém-nascidos do sexo masculino viveriam até os 65 anos. Apenas na Costa Rica e no Chile, espera-se que mais de 90% das recém-nascidas vivam até os 65 anos, ainda abaixo da média da OCDE de 92%.
Uma renda nacional mais elevada – medida pelo PIB per capita – está geralmente associada a uma maior expectativa de vida ao nascer (Gráfico 3.3). Houve, no entanto, algumas diferenças notáveis na expectativa de vida entre países com renda per capita semelhante. Por exemplo, a Costa Rica e o Chile apresentaram expectativas de vida mais altas, e a Guiana apresentou expectativas de vida mais baixas do que o previsto apenas pelo seu PIB per capita.
Do ponto de vista biológico, a desvantagem dos homens em termos de expectativa de vida pode refletir, em parte, mecanismos biológicos, incluindo diferenças relacionadas aos cromossomos sexuais e aos hormônios, embora esses mecanismos ainda não sejam suficientemente compreendidos (Austad and Fischer, 2016[2]). As diferenças de expectativa de vida entre os sexos também são influenciadas por mecanismos sociais, como a redução da mortalidade materna ao longo do último século, e por fatores comportamentais, já que os homens enfrentam maior exposição a riscos ocupacionais e se envolvem com mais frequência em comportamentos de risco, como tabagismo e consumo de álcool (Hossin, 2021[3]).