A adolescência é a fase da vida entre a infância e a idade adulta, compreendendo a faixa etária dos 10 aos 19 anos. Embora a adolescência seja frequentemente considerada uma fase saudável da vida, ela está associada a índices significativos de mortalidade, morbidade e lesões, em grande parte devido a causas que são evitáveis ou tratáveis. Esse período é particularmente crítico porque é quando se estabelecem padrões comportamentais, sejam eles protetores ou prejudiciais, aumentando os riscos para a saúde a curto e longo prazo (WHO, 2025[1]). A região da ALC apresenta a segunda maior taxa de mortalidade entre adolescentes no mundo, com aproximadamente 106 milhões de adolescentes vivendo na região em 2022 (The Lancet Child & Adolescent Health, 2022[2]).
Em 2023, a taxa de mortalidade entre adolescentes era de 2,3 mortes por 1.000 na OCDE, enquanto a média entre os países da ALC era de 5,8 (Gráfico 3.9). Chile, Antígua e Barbuda, Barbados, Cuba e Costa Rica alcançaram taxas inferiores a 4 mortes por 1.000 pessoas com idades entre 10 e 19 anos. Em contrapartida, as taxas de mortalidade na Venezuela e no Haiti atingiram 10,4 e 10,7 mortes por 1.000. Apesar de ter apresentado a terceira maior taxa de mortalidade de crianças menores de 5 anos, a República Dominicana alcançou taxas de mortalidade entre adolescentes abaixo da média da ALC. Embora a mortalidade entre adolescentes tenha diminuído substancialmente em uma média de 34,4% nos países da ALC entre 2010 e 2023, em comparação com a redução de 16,4% na OCDE, o progresso tem sido desigual entre os países. Países como Bahamas, El Salvador e Antígua e Barbuda registraram uma queda de mais de 35%, enquanto em São Vicente e Granadinas a taxa aumentou 30% e em Cuba, 16%.
Existem grandes disparidades de gênero na mortalidade entre adolescentes na região da ALC, com os meninos tendo 106% mais probabilidade de morrer do que as meninas, em comparação com 73% nos países da OCDE em 2023. Em todos os países da ALC, as taxas médias de mortalidade entre adolescentes foram de 1,4 por 1.000 entre adolescentes mais jovens do sexo feminino e de 2,3 por 1.000 entre adolescentes mais velhas do sexo feminino (Gráfico 3.10). As taxas mais elevadas para adolescentes mais velhas foram observadas no Haiti, na Guiana e no Suriname, com 4,7, 3,6 e 3,4 por 1.000, respectivamente. O Haiti também apresenta a maior taxa de mortalidade entre adolescentes mais jovens, com 3,5 mortes por 1.000, seguido por Honduras, São Vicente e Granadinas, Granada e El Salvador, com mais de 2 mortes por 1.000. Honduras, Granada e El Salvador apresentam taxas de mortalidade entre adolescentes mais velhos abaixo da média da ALC de 2,3, porém alta mortalidade entre adolescentes mais jovens. Os diferentes padrões de mortalidade entre as duas faixas etárias de adolescentes sugerem causas diferenciadas de morte, sendo que infecções do trato respiratório inferior e anomalias congênitas são mais comuns no primeiro grupo, enquanto acidentes e lesões, lesões autoinfligidas e violência interpessoal são as principais causas no segundo (WHO, 2024[3]).
Em todos os países da ALC, os adolescentes mais velhos do sexo masculino têm 193% mais probabilidade de morrer do que os adolescentes mais jovens do sexo masculino. Venezuela, Equador, São Cristóvão e Nevis e Haiti apresentam as taxas de mortalidade mais elevadas entre adolescentes mais velhos, ultrapassando 8 mortes por 1.000 (Gráfico 3.10). Entre os adolescentes mais jovens do sexo masculino, as taxas de mortalidade mais elevadas, acima de 3 por 1.000, são observadas no Haiti, São Vicente e Granadinas, Honduras e Granada.
A adolescência representa um período crítico para a formação da saúde e do bem-estar na idade adulta; no entanto, continua pouco representada nas políticas nacionais. É também durante a adolescência que surgem as diferenças de gênero, com os meninos apresentando maior mortalidade por violência, afogamentos e acidentes de trânsito, e as meninas sendo mais afetadas pelo suicídio e por condições maternas causadas pelas altas taxas de natalidade na adolescência. As intervenções no âmbito da Ação Global Acelerada para a Saúde de Adolescentes (AA-HA!) incluem programas escolares de prevenção da violência destinados a reduzir a violência interpessoal. Elas também contemplam serviços de saúde sexual voltados para os adolescentes que eliminam o estigma em torno da contracepção e melhoram os cuidados pré-natais e de parto qualificados para reduzir a mortalidade materna entre as adolescentes (UNCF, 2022[4]).