Does Healthcare Deliver? Results from the Patient‑Reported Indicator Surveys (PaRIS): Portugal
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O inquérito PaRIS (Patient-Reported Indicator Surveys) da OCDE é uma iniciativa pioneira que vem preencher uma lacuna crítica nos dados de saúde através da medição dos resultados em saúde e das experiências das pessoas com os cuidados de saúde. Esta é uma informação essencial que continua a faltar: as opiniões daqueles que são diretamente afetados pelos serviços de saúde – os doentes – sobre a sua experiência com o sistema de saúde e os resultados por eles comunicados. Ao captar as perspetivas de mais de 107 000 pessoas em 1 800 unidades de cuidados de saúde primários de 19 países, o inquérito PaRIS possibilita uma avaliação internacionalmente comparável da forma como os resultados e as experiências dos utentes dos cuidados primários com 45 anos ou mais variam entre países e da forma como os sistemas de saúde prestam os cuidados de que as pessoas com doenças crónicas necessitam.
Tendo em conta que, globalmente, o número de pessoas que vivem com doenças crónicas continua a aumentar, a necessidade de os sistemas de saúde se adaptarem às suas necessidades nunca foi tão urgente. O estudo PaRIS desempenha um papel crucial na fundamentação desta mudança, na medida em que fornece dados que apoiam a reorganização dos cuidados de saúde em torno das experiências e dos resultados em saúde mais importantes para as pessoas. Ao contrário de avaliações de doenças específicas, o PaRIS adota uma abordagem mais ampla, avaliando o impacto dos cuidados de saúde em várias dimensões da vida das pessoas. Esta perspetiva abrangente tem o potencial de revolucionar a forma como avaliamos o desempenho dos sistemas de saúde à escala global.
As conclusões do inquérito PaRIS sublinham a necessidade de cuidados mais coordenados e centrados nas pessoas, especialmente para os 80% de utentes dos cuidados de saúde primários com 45 anos ou mais que vivem com, pelo menos, uma doença crónica e para os 50% que vivem com várias (duas ou mais) doenças crónicas. São essenciais políticas específicas para combater as desigualdades, melhorar a coordenação dos cuidados e reforçar a confiança nos sistemas de saúde. Encorajar o envolvimento dos doentes nas decisões relativas aos cuidados de saúde e promover relações sólidas com os profissionais de saúde pode conduzir a melhores resultados em saúde, maior confiança no sistema e maior autonomia na gestão da própria saúde. Ao mesmo tempo, um sistema de saúde com uma dotação adequada de profissionais qualificados e unidades de cuidados primários organizadas em função das necessidades das pessoas são fundamentais para melhorar os resultados e as experiências dos doentes.
A presente análise por país baseia-se nas principais conclusões da publicação Does Healthcare Deliver: Results from the Patient-Reported Indicator Surveys (PaRIS) [Estão os cuidados de saúde a corresponder às expectativas? Resultados do inquérito PaRIS sobre indicadores reportados pelos doentes], para fornecer uma avaliação específica de Portugal. A partir da análise dos dez principais indicadores utilizados no inquérito (Quadro 1) que medem os resultados e as experiências com base nas declarações dos doentes, exploram-se os resultados do estudo no contexto português comparando-os com a média da OCDE no PaRIS. A média da OCDE no PaRIS é a média simples dos 17 países membros da OCDE que participam no inquérito PaRIS.
Caixa 1. Principais conclusões – Portugal
Copy link to Caixa 1. Principais conclusões – PortugalMais de metade (57%) das pessoas com doenças crónicas em Portugal referem ter uma boa saúde física, avaliada em termos de função física, dor e fadiga. Este valor é inferior à média da OCDE no PaRIS (70%) e situa-se 25 pontos percentuais abaixo do país com melhor desempenho (82%).
Dois terços (67%) das pessoas com doenças crónicas em Portugal referem ter uma boa saúde mental, relativamente à qualidade de vida, angústia emocional e saúde social. Esta é a percentagem mais baixa entre os países participantes no inquérito PaRIS e representa uma diferença de 26 pontos percentuais em relação ao país com melhor desempenho (93%).
Menos de metade (49%) das pessoas com doenças crónicas em Portugal referem que a coordenação dos cuidados é boa, um valor que é inferior à média da OCDE no PaRIS (59%) e está 32 pontos percentuais abaixo do país com melhor desempenho (81%).
Pouco mais de metade (54%) das pessoas com doenças crónicas em Portugal confiam no sistema de saúde, menos do que a média da OCDE no PaRIS (62%).
Mais de quatro em cada cinco pessoas (86%) com duas ou mais doenças crónicas em Portugal são tratadas em unidades de cuidados de saúde primários onde recebem consultas programadas e de acompanhamento com duração superior a 15 minutos; este valor é quase 40 pontos percentuais superior à média da OCDE no PaRIS (47%).
A maioria das pessoas (97%) com duas ou mais doenças crónicas é tratada em unidades de cuidados de saúde primários que têm profissionais de saúde não médicos afetos à gestão de doenças crónicas; 14 pontos percentuais acima da média da OCDE no PaRIS (83%).
Pouco menos de metade (49%) das pessoas com doenças crónicas em Portugal recebem apoio suficiente para gerir a sua própria saúde, o que é inferior à média da OCDE no PaRIS (63%).
Cerca de uma em cada dez pessoas com doenças crónicas (12%) em Portugal refere sentir-se confiante na utilização de informações de saúde provenientes da Internet, em comparação com a média da OCDE no PaRIS de 19% (mínimo-máximo: 5‑34%).
O quão bem Portugal providencia cuidados de saúde às pessoas com doenças crónicas?
Copy link to O quão bem Portugal providencia cuidados de saúde às pessoas com doenças crónicas?Em Portugal, as pessoas com doenças crónicas têm piores resultados em saúde em comparação com muitos outros países participantes no inquérito PaRIS e, em geral, as suas experiências com os cuidados de saúde são inferiores à média da OCDE no PaRIS (Capítulo 2). Esta avaliação baseia-se nas 10 principais medidas de resultados reportados pelos doentes (Patient-Reported Outcome Measures, PROM) – saúde física, saúde mental, funcionamento social, bem-estar e saúde geral – e experiências reportadas pelos doentes (Patient-Reported Experience Measures, PREM) – confiança na gestão da própria saúde, experiência de coordenação dos cuidados, experiência de cuidados centrados na pessoa, experiência de qualidade dos cuidados e confiança no sistema de saúde (Figura 1).
Em Portugal, a probabilidade das pessoas que vivem com doenças crónicas reportarem bons resultados em saúde é menor em comparação com a média da OCDE no PaRIS:
Mais de metade (57%) das pessoas com doenças crónicas em Portugal referem ter uma boa saúde física, avaliada em termos de função física, dor e fadiga. Este valor é significativamente inferior à média da OCDE no PaRIS (70%) e situa-se 25 pontos percentuais abaixo do país com melhor desempenho (82%) (Figura 1).
Dois terços (67%) das pessoas com doenças crónicas em Portugal referem ter uma boa saúde mental, relativamente à qualidade de vida, angústia emocional e saúde social. Esta é a percentagem mais baixa entre os países participantes e representa uma diferença de 26 pontos percentuais em relação ao país com melhor desempenho (93%).
Quase três quartos (73%) das pessoas com doenças crónicas em Portugal referem ter um bom funcionamento social, que avalia a forma como as pessoas desempenham as suas atividades e funções sociais habituais. Este valor é 10 pontos percentuais inferior à média da OCDE no PaRIS (83%) e 20 pontos percentuais abaixo do país com melhor desempenho (93%) (Figura 1). De igual modo, três em cada cinco pessoas (61%) com doenças crónicas em Portugal declaram ter um bem-estar positivo, dimensão reflete o estado de espírito, a vitalidade e a satisfação com a vida. Este valor é 10 pontos percentuais inferior à média da OCDE no PaRIS (71%) e situa‑se 19 pontos percentuais abaixo do país com melhor desempenho (80%).
Quatro em cada dez (42%) pessoas com doenças crónicas em Portugal referem ter um bom estado de saúde geral, valor significativamente abaixo da média da OCDE no PaRIS (66%) e 51 pontos percentuais abaixo do país com melhor desempenho (93%).
A percentagem de pessoas com doenças crónicas que referem ter boas experiências com os cuidados de saúde em Portugal é também inferior à média da OCDE no PaRIS, exceto no que diz respeito à confiança na gestão da própria saúde:
Quase dois terços (61%) das pessoas com doenças crónicas em Portugal sentem-se confiantes em gerir a própria saúde, um valor ligeiramente superior à média da OCDE no PaRIS (59%). Contudo, este valor situa-se 31 pontos percentuais abaixo do país com melhor desempenho (92%) (Figura 1).
Menos de metade (49%) das pessoas com doenças crónicas em Portugal referem que a coordenação dos cuidados é boa, um valor 10 pontos percentuais inferior à média da OCDE no PaRIS (59%) e 32 pontos percentuais abaixo do país com melhor desempenho (81%).
Cerca de quatro em cada cinco (77%) pessoas com doenças crónicas em Portugal referem receber cuidados centrados na pessoa, ou seja, cuidados centrados nas suas necessidades, o que é inferior à média da OCDE no PaRIS (87%) e se situa 20 pontos percentuais abaixo do país com melhor desempenho (97%).
Sete em cada dez (69%) pessoas com doenças crónicas em Portugal referem receber cuidados de saúde de boa qualidade, um valor significativamente inferior à média da OCDE no PaRIS (87%) e 28 pontos percentuais mais baixo do que o do país com melhor desempenho (97%).
Pouco mais de metade (54%) das pessoas com doenças crónicas em Portugal referem confiar no sistema de saúde, um valor 8 pontos percentuais inferior à média da OCDE no PaRIS (62%), mas 35 pontos percentuais mais baixo do que o do país com melhor desempenho (89%).
Quadro 1. PROM e PREM no inquérito PaRIS
Copy link to Quadro 1. PROM e PREM no inquérito PaRIS|
Medidas dos resultados reportadas pelos doentes (Patient-Reported Outcome Measures, PROM) |
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Saúde física |
Resposta a quatro perguntas que avaliam a função física, a dor e a fadiga, com uma escala de opções de resposta de 1‑5. Pontuação média dos doentes. Pontuação bruta de 4‑20 convertida para a métrica T-score, em que 50 é a média e 10 o desvio-padrão da população de referência da escala PROMIS. Intervalo T-score de 16,2‑67,7. Percentagem de doentes que referem resultados positivos (T-score igual ou superior a 42, equivalente a ter uma saúde física "boa" ou melhor, em comparação com um estado de saúde "razoável" ou "mau", com base na população de referência da escala PROMIS), ilustrada na Figura 1. Instrumento de dados: escala de saúde PROMIS® v1.2 – Global Health. |
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Saúde mental |
Resposta a quatro perguntas sobre qualidade de vida, angústia emocional e saúde social, com uma escala de opções de resposta de 1‑5. Pontuação média dos doentes. Pontuação bruta de 4‑20 convertida para a métrica T-score, em que 50 é a média e 10 o desvio-padrão da população de referência da escala PROMIS. Intervalo T-score de 21,2‑67,6. Percentagem de doentes que referem resultados positivos (T-score igual ou superior a 40, equivalente a ter uma saúde mental "boa" ou melhor, em comparação com um estado de saúde "razoável" ou "mau", com base na população de referência da escala PROMIS), ilustrada na Figura 1. Instrumento de dados: escala de saúde PROMIS® v1.2 – Global Health. |
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Funcionamento social |
Resposta à pergunta: «De um modo geral, avalie o seu desempenho nas atividades e funções sociais habituais [conforme especificadas no questionário]», sendo que as opções de resposta variam entre "mau" (1) e "excelente" (5). Percentagem de doentes que responderam "bom", "muito bom" ou "excelente" (em comparação com "razoável" ou "mau"). Instrumento de dados: escala de saúde PROMIS® v1.2 – Global Health. |
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Bem-estar |
Resposta a cinco perguntas que avaliam o bem-estar (sentiu-se alegre e bem disposto/a, calmo/a e tranquilo/a, ativo/a e enérgico/a, realizado/a na vida quotidiana, revigorado/a e descansado/a), com uma escala de opções de resposta de 0‑5. Pontuação média dos doentes (pontuação bruta de 0‑25 convertida para uma pontuação de 0‑100). Percentagem de doentes que referem resultados positivos (pontuação >=50, indicando que não estão em risco de depressão clínica), ilustrada na Figura 1. Instrumento de dados: índice de bem-estar OMS (cinco) (WHO‑5). |
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Saúde geral |
Resposta à pergunta: «De modo geral, diria que a sua saúde é...?», sendo que as opções de resposta variam entre "má" (1) e "excelente" (5). Percentagem de doentes que responderam "boa", "muito boa" ou "excelente" (em comparação com "razoável" ou "má"). Instrumento de dados: escala de saúde PROMIS® v1.2 – Global Health. |
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Medidas da experiência reportadas pelos doentes (Patient-Reported Experience Measures, PREM) |
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Confiança na gestão da própria saúde |
Resposta à pergunta: «Até que ponto está confiante de que consegue gerir a sua própria saúde e bem-estar?», sendo que as opções de resposta variam entre "nada confiante" (0) e "muito confiante" (3). Percentagem de doentes que estão confiantes ou muito confiantes (em comparação com pouco confiantes ou nada confiantes). Instrumento de dados: questionário P3CEQ. |
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Experiência da coordenação dos cuidados |
Resposta a cinco perguntas que avaliam a coordenação dos cuidados (cuidados integrados, um único contacto indicado, plano global de cuidados, apoio na gestão da própria saúde, informação sobre a gestão da própria saúde). Escala de opções de resposta de 0‑3. Pontuação média dos doentes (numa escala de 0‑15). Percentagem de doentes que declaram uma experiência positiva (pontuação igual ou superior a 50 % em 5 perguntas, ou seja, pontuação na escala >=7,5), ilustrada na Figura 1. Instrumento de dados: questionário P3CEQ, dados disponíveis apenas para pessoas com doença(s) crónica(s). |
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Cuidados centrados na pessoa |
Resposta a oito perguntas que avaliam se os cuidados são centrados na pessoa (conversas sobre o que é importante, envolvimento nas decisões, consideração da "pessoa no seu todo", sem necessidade de repetir informações, os cuidados são integrados, apoio na gestão da própria saúde, informação sobre a gestão da própria saúde, autonomia na gestão da própria saúde). Escala de opções de resposta de 0‑3. Pontuação média dos doentes (numa escala de 0‑24). Percentagem de doentes que declaram uma experiência positiva (pontuação igual ou superior a 50 % em 8 perguntas, ou seja, pontuação na escala >=12), ilustrada na Figura 1. Instrumento de dados: questionário P3CEQ, dados disponíveis apenas para pessoas com doença(s) crónica(s). |
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Experiência da qualidade dos cuidados |
Resposta à pergunta: «Tendo em conta todos os aspetos relacionados com os cuidados que recebeu, em termos gerais, como classifica a qualidade dos cuidados médicos que lhe foram prestados pelo seu centro de cuidados primários nos últimos 12 meses?», sendo que a escala de opções de resposta varia entre "má" (1) e "excelente" (5). Percentagem de doentes que responderam "boa", "muito boa" ou "excelente" (em comparação com "razoável" ou "má" e "não sabe"). Instrumento de dados: adaptado do inquérito internacional sobre políticas de saúde do Fundo da Commonwealth (Commonwealth Fund International Health Policy Survey). |
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Confiança no sistema de saúde |
Resposta à pergunta: «Em que medida concorda ou discorda que se pode confiar no sistema de saúde?», sendo que as opções de resposta variam entre "discordo totalmente" (1) e "concordo totalmente" (5). Percentagem de doentes que concordam ou concordam totalmente (em comparação com os que não concordam nem discordam, discordam e discordam totalmente). Instrumento de dados: baseado nas Orientações da OCDE sobre a medição da confiança (OECD Guidelines on Measuring Trust) e semelhante às perguntas de inquéritos nacionais selecionados. |
Fonte: Ver Capítulo 2 para mais informações.
As pessoas com várias doenças crónicas referem resultados em saúde desfavoráveis
Copy link to As pessoas com várias doenças crónicas referem resultados em saúde desfavoráveisAs pessoas que vivem com várias doenças crónicas referem ter níveis mais baixos de saúde física e mental, bem-estar e funcionamento social em comparação com as que vivem com uma ou nenhuma doença crónica (Capítulo 3). Este é também o caso em Portugal, embora os resultados sejam, geralmente, inferiores à média da OCDE no PaRIS. Concretamente:
Em Portugal, as pessoas com três ou mais doenças crónicas têm menor probabilidade de referir que têm um estado de saúde melhor do que as pessoas com duas doenças crónicas. Este padrão, que é consistente com os resultados de outros países, sublinha o impacto cumulativo da carga de doença experienciado pelas pessoas com várias doenças crónicas, destacando o crescente impacto que cada doença crónica adicional tem na sua saúde e bem-estar.
Em Portugal, as pessoas que vivem com várias doenças crónicas têm uma saúde física pior do que as que vivem com uma doença crónica, com uma diferença de oito pontos, um padrão consistente com a média do PaRIS. No entanto, as pontuações de saúde física das pessoas com uma, duas ou três ou mais doenças crónicas em Portugal estão abaixo da média da OCDE no PaRIS (Figura 2). Em Portugal, as pessoas com três ou mais doenças crónicas obtêm, em média, uma pontuação abaixo do ponto de corte de bom-razoável (42) para a saúde física, valor semelhante à média da OCDE no PaRIS.
De igual modo, Portugal tem um desempenho inferior à média da OCDE no PaRIS em termos de saúde mental das pessoas que vivem com uma, duas e três ou mais doenças crónicas. Em Portugal, as pessoas com várias doenças crónicas referem ter uma saúde mental pior do que as que têm apenas uma doença crónica, com uma diferença de cinco pontos. Além disso, as pessoas com duas e três ou mais doenças crónicas registam resultados inferiores à média da OCDE no PaRIS para pessoas com três ou mais doenças crónicas (Figura 3). Todos os resultados situam-se, em média, acima do ponto de corte bom‑razoável (40) para a saúde mental.
Em Portugal, tal como noutros países, as pessoas com várias doenças crónicas referem menos frequentemente ter um bom funcionamento social do que as pessoas com uma única doença crónica (Figura 4). Apesar de 83% das pessoas com uma doença crónica em Portugal terem um bom funcionamento social, este valor desce para 60% nas pessoas com três ou mais doenças crónicas, situando-se 14 pontos percentuais abaixo da média da OCDE no PaRIS.
Portugal apresenta características positivas quanto aos cuidados primários no país; contudo a continuidade de cuidados com o mesmo profissional pode ainda ser melhorada
Copy link to Portugal apresenta características positivas quanto aos cuidados primários no país; contudo a continuidade de cuidados com o mesmo profissional pode ainda ser melhoradaAs características das consultas de cuidados primários associadas a melhor experiência de qualidade dos cuidados relacionam-se com o tempo, tanto o tempo para as consultas programadas e de acompanhamento, como o tempo da duração da relação com o mesmo profissional de cuidados de saúde primários (Capítulo 3). Os profissionais não médicos desempenham também um papel importante na melhoria da prestação de cuidados de saúde a pessoas com várias doenças crónicas (Capítulo 3). Revisões sistemáticas da medicação podem melhorar a segurança e a eficácia da mesma para pessoas com várias doenças crónicas, ao mesmo tempo que melhoram a experiência de coordenação dos cuidados.
Portugal apresenta características positivas quanto aos cuidados primários no país; contudo, a continuidade de cuidados com o mesmo profissional pode ainda ser melhorada (Figura 5):
Mais de quatro em cada cinco pessoas (86%) com duas ou mais doenças crónicas em Portugal são tratadas em unidades de cuidados primários onde recebem consultas programadas e de acompanhamento com duração superior a 15 minutos; valor muito superior à média OCDE no PaRIS (47%).
Em Portugal, a maioria das pessoas (97%) com duas ou mais doenças crónicas é tratada em unidades de cuidados primários que têm profissionais de saúde não médicos afetos à gestão das doenças crónicas; este valor é 14 pontos percentuais superior à média OCDE no PaRIS (83 %).
Sete em cada dez pessoas (71%) com três ou mais doenças crónicas em Portugal indicam que a sua medicação foi revista por um profissional de saúde nos últimos 12 meses; este valor é comparável à média OCDE no PaRIS (75%).
Em Portugal, metade das pessoas com duas ou mais doenças crónicas referem ser acompanhadas pelo mesmo profissional de cuidados de saúde primários há mais de cinco anos; valor que está 8 pontos percentuais abaixo da média OCDE no PaRIS (58%).
Cuidados centrados na pessoa: Portugal apresenta como ponto forte a adoção de registos de saúde eletrónicos, mas revela dificuldades no apoio aos doentes e na coordenação dos cuidados
Copy link to Cuidados centrados na pessoa: Portugal apresenta como ponto forte a adoção de registos de saúde eletrónicos, mas revela dificuldades no apoio aos doentes e na coordenação dos cuidadosOs cuidados centrados nas pessoas, ou seja, cuidados de saúde que respondem às necessidades das pessoas, são um indicador essencial de qualidade e desempenho dos sistemas de saúde e dos prestadores de cuidados (Capítulo 4). Os dados do inquérito PaRIS mostram que uma abordagem centrada nas pessoas, que dá prioridade a um forte envolvimento dos doentes e a uma coordenação eficaz dos cuidados, está associada a melhores resultados em termos da saúde e da experiência dos doentes. Esta abordagem é particularmente benéfica no tratamento de doenças crónicas, uma vez que permite que os doentes participem ativamente nas decisões sobre a sua saúde.
Embora as unidades de cuidados primários em Portugal refiram dispor de ferramentas digitais para apoiar os cuidados dos doentes, estas precisam de mais apoio para beneficiarem das mesmas (Figura 6):
Em Portugal, pouco menos de metade (49%) das pessoas com doenças crónicas recebem apoio suficiente para gerir a sua própria saúde, um valor significativamente inferior à média dos países OCDE no PaRIS (63%).
Portugal apresenta uma baixa literacia digital em saúde, com apenas 12% das pessoas com doenças crónicas a declararem-se confiantes na utilização de informações de saúde provenientes da Internet, o que é inferior à média OCDE no PaRIS de 19% (intervalo de 5‑34%).
Comparativamente à média OECD no PaRIS (56%), Portugal tem uma percentagem ligeiramente inferior (53%) de pessoas com doenças crónicas acompanhada em unidades de cuidados primários que referem estar bem preparadas para coordenar os cuidados de saúde.
Contudo, 80% das pessoas com doenças crónicas são acompanhadas em unidades que reportam a possibilidade de trocar eletronicamente informação proveniente dos registos clínicos dos doentes, o que é significativamente superior à média OCDE no PaRIS (57%).
Estes resultados realçam pontos fortes de Portugal na adoção de registos de saúde eletrónicos, mas revelam dificuldades na prestação de apoio aos doentes, na melhoria da literacia digital em saúde e na coordenação de cuidados no contexto dos cuidados primários.
O combate às desigualdades de género e de rendimento é uma área a melhorar em Portugal
Copy link to O combate às desigualdades de género e de rendimento é uma área a melhorar em PortugalEm Portugal, existem diferenças de género no bem-estar e na confiança nos sistemas de saúde, sendo ambos os indicadores mais baixos para as mulheres.
Em Portugal, a diferença no bem-estar dependente do género corresponde ao dobro da média OCDE no PaRIS (5 pontos percentuais), sendo a mais elevada entre os países da OCDE que participam no inquérito. Tanto os homens como as mulheres registam níveis mais baixos de bem-estar em comparação com a média OCDE no PaRIS (Figura 7).
Em Portugal, 57% dos homens confiam no sistema de saúde, em comparação com 51% das mulheres (Figura 8). Estes níveis de confiança são muito inferiores à média OCDE no PaRIS, tanto para os homens (67%) como para as mulheres (58%).
A diferença de confiança no sistema entre homens e mulheres em Portugal (7 pontos percentuais) não é estatisticamente significativa e é inferior à diferença média para a OCDE no PaRIS (9 pontos percentuais).
À semelhança de outros países da OCDE, em Portugal as pessoas com rendimentos mais elevados registam melhores níveis de bem-estar e de confiança no sistema de saúde:
Nos países da OCDE que participam no inquérito PaRIS, as pessoas com rendimentos mais elevados registam pontuações de bem-estar mais elevadas do que as pessoas com rendimentos mais baixos (diferença de sete pontos percentuais). Os níveis absolutos de bem-estar em Portugal são inferiores à média da OCDE no PaRIS (Figura 9).
Em Portugal, seis em cada dez pessoas com doenças crónicas (64%) com rendimentos mais elevados confiam no sistema de saúde, em comparação com 48% das pessoas com rendimentos mais baixos. A confiança no sistema de saúde é inferior à média OCDE no PaRIS, tanto para os grupos com rendimentos elevados (70%) como para os grupos com rendimentos baixos (59%) (Figura 10).
A diferença de confiança no sistema de saúde entre os grupos com rendimentos elevados e baixos em Portugal é de 16 pontos percentuais, acima da média da OCDE no PaRIS (11 p.p.)
Principais caraterísticas do inquérito PaRIS
Copy link to Principais caraterísticas do inquérito PaRISO inquérito PaRIS em síntese
O inquérito PaRIS recolhe dados sobre resultados e experiências em saúde reportados pelos doentes. Reúne também informações fornecidas pelos doentes sobre os seus comportamentos e competências em termos de saúde e as suas características sociodemográficas, bem como informações fornecidas pelos prestadores de cuidados de saúde sobre as características das unidades de cuidados de saúde primários. A recolha de dados teve lugar em 2023‑24 e os primeiros resultados foram divulgados na publicação Does Healthcare Deliver: Results from the Patient-Reported Indicator Surveys (PaRIS) [Estão os cuidados de saúde a corresponder às expectativas? Resultados do inquérito PaRIS sobre indicadores reportados pelos doentes].
Os resultados abrangem 107 011 utentes (com 45 anos ou mais) de 1 816 unidades de cuidados de saúde primários em 19 países: Arábia Saudita, Austrália, Bélgica, Canadá, Eslovénia, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, País de Gales (Reino Unido), Países Baixos, Portugal, República Checa, Roménia e Suíça. Todos os resultados incluídos nesta análise por país estão normalizados em função da idade e do sexo para ter em conta os diferentes perfis demográficos dos países. Na Figura 1, o ponto mais alto (mais baixo) representa o valor mais alto (mais baixo) obtido para cada indicador entre 17 dos países participantes no inquérito PaRIS. Em Itália e nos Estados Unidos, os critérios de elegibilidade para a participação dos doentes diferiram das orientações, pelo que estes países não estão incluídos nesta figura. Informação pormenorizada sobre os procedimentos nacionais de amostragem e outros dados sobre a metodologia, podem ser consultados no Capítulo 7 do relatório.
Os resultados de Portugal baseiam-se em 11 744 doentes e 91 unidades de cuidados de saúde primários. Os doentes foram selecionados por amostragem probabilística a partir dos registos de doentes das unidades participantes. As unidades de cuidados primários foram selecionadas por amostragem probabilística a partir do registo nacional de prestadores de cuidados de saúde primários.
Em Portugal, as unidades de cuidados de saúde primários responderam ao questionário online. Os doentes responderam ao questionário em formato online e através de inquéritos em papel.
O presente trabalho é publicado sob a responsabilidade do Secretário-Geral da OCDE. As opiniões expressas e os argumentos utilizados nesta publicação não refletem necessariamente o ponto de vista oficial dos países membros da OCDE.
O presente documento, bem como quaisquer dados e mapas nele incluídos, não afetam o estatuto ou a soberania sobre qualquer território, a delimitação de fronteiras e limites internacionais nem a designação de qualquer território, cidade ou região.
A publicação completa está disponível em inglês: OECD (2025), Does Healthcare Deliver?: Results from the Patient-Reported Indicator Surveys (PaRIS), OECD Publishing, Paris, https://doi.org/10.1787/c8af05a5-en.
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