Portugal está a reforçar os esforços no sentido de combater a pobreza infantil e a exclusão social através da implementação da Garantia Europeia para a Infância (ECG - European Child Guarantee). O país elaborou um plano de ação nacional abrangente para abordar as causas profundas da pobreza infantil e da exclusão social e garantir o acesso a serviços públicos essenciais, respondendo simultaneamente às necessidades específicas dos grupos de crianças vulneráveis. Este plano de ação intersetorial destina-se a reforçar a coordenação entre as várias iniciativas e programas de políticas que correspondem aos objetivos da Garantia Europeia para a Infância. Procura igualmente envolver os Núcleos Locais da Garantia para a Infância, que são responsáveis pela execução de medidas no terreno e pela garantia de que o apoio é adaptado às diversas necessidades das populações nas regiões. Para que os seus esforços sejam coroados de êxito, Portugal deve centrar-se em:
Reforçar a governação das políticas em matéria da infância e da juventude a nível nacional, através da criação de um organismo de coordenação interministerial ao mais alto nível, com um mandato claro para assegurar uma compreensão partilhada das questões fundamentais, impulsionar um compromisso de alto nível e assegurar uma monitorização coerente e o alinhamento das políticas nos vários quadros relacionados com as crianças no âmbito da nova Estratégia Única dos Direitos das Crianças e Jovens. A racionalização dos quadros relacionados com as crianças será fundamental para alcançar um quadro de governação integrado e centrado nas crianças.
Reforçar a gestão baseada na comunidade e as práticas de aprendizagem entre pares para estimular o sistema em rápido crescimento dos Núcleos Locais da Garantia para a Infância e para tornar a coordenação menos intensiva em termos de recursos. Um primeiro passo poderia ser a criação de grupos regionais de Núcleos Locais da Garantia para a Infância, a fim de facilitar uma coordenação mais eficiente, seguida da criação de uma rede nacional para alargar a cooperação e o intercâmbio de conhecimentos relativos à implementação da Garantia Europeia para a Infância.
Desenvolver um sistema sólido de monitorização e avaliação da Garantia Europeia para a Infância para avaliar a eficácia das políticas e produzir dados sobre os resultados das políticas. Parte deste processo consiste em simplificar o quadro de monitorização com vista a um acompanhamento de maior proximidade da estrutura de um quadro baseado nos resultados e alinhar a seleção dos indicadores e a descrição das medidas políticas com as das estratégias nacionais conexas, sempre que tal faça sentido. O atual conjunto de indicadores poderia ser reforçado para acentuar a tónica colocada na pobreza infantil e no acesso das crianças aos serviços, a fim de apoiar mais eficazmente a avaliação das políticas e a tomada de decisões
Produzir informações comparáveis sobre as crianças em situação de vulnerabilidade a nível local, a fim de monitorizar eficazmente a execução local. Atualmente, os Núcleos Locais da Garantia para a Infância utilizam indicadores baseados em diferentes definições dos grupos-alvo da Garantia Europeia para a Infância não têm acesso a dados para identificar as crianças que vivem em situação de pobreza e não têm experiência na utilização de dados e indicadores relevantes para a monitorização das políticas e o planeamento de serviços. Tendo em vista o reforço de capacidades, os conhecimentos existentes devem ser aproveitados, com ênfase na promoção da colaboração entre os Núcleos Locais da Garantia para a Infância e as autoridades nacionais.
Reforçar a participação das crianças e dos jovens na implementação, monitorização e avaliação do plano de ação nacional da Garantia Europeia para a Infância tanto a nível nacional como local. A clarificação dos papéis e das responsabilidades dos Núcleos Locais e o reforço das parcerias com os animadores socioeducativos e as organizações da sociedade civil devem ser prioritários. Devem ser envidados esforços para alargar as iniciativas de participação para além das escolas e reforçar as oportunidades de participação das crianças e dos jovens vulneráveis e sub-representados.
Este resumo sintetiza as principais recomendações da OCDE e fornece algumas informações sobre a avaliação do atual sistema de monitorização e dos mecanismos de governação (OCDE, a publicar[1]).