Portugal é um dos países mais propensos a incêndios rurais na Europa. Os grandes incêndios em áreas pouca habitadas representam a maior parte da área ardida, evidenciando como as mudanças socioeconómicas, o abandono do território e degradação das florestas aumentaram o risco de incêndio rural. O crescimento dos setores industriais e dos serviços reduziu a dependência das atividades ligadas ao território, impulsionando a migração das zonas rurais para as cidades e reduzindo a população rural de 60% na década de 1960 para apenas 5% atualmente (AGIF, 2020[1]). As estruturas sucessórias e as alterações demográficas fragmentaram a propriedade florestal privada – 93% das florestas são de propriedade privada, divididas em 6,5 milhões de parcelas com uma dimensão média de 0,57 ha – dificultando a gestão do território (Schmithüsen and Hirsch, 2010[2]) (Fernandes and Simões, 2024[3]). A baixa rentabilidade agrícola e madeireira, combinada com políticas que favorecem operações de grande escala, desincentiva ainda mais o uso ativo destas parcelas (Hatcher, Straka and Greene, 2013[4]). À medida que as terras agrícolas e florestais são abandonadas, a vegetação não gerida e propensa ao fogo passa a dominar a paisagem, enquanto o mau estado sanitário das florestas e as espécies invasoras aumentam a vulnerabilidade (OECD, 2023[5]). Por último, as alterações climáticas agravam ainda mais este risco, ao impulsionarem condições meteorológicas extremas que favorecem a propagação e a intensidade dos incêndios (OECD, 2023[6]) (Figura 1).
Rumo a um quadro integrado de gestão de fogos rurais em Portugal