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Salle de presse

A melhoria dos mercados de capitais pode ajudar Portugal a construir um setor empresarial dinâmico e apoiar a recuperação do COVID-19

 

02/10/2020 - Apesar do forte desempenho económico e da dinâmica sustentada das reformas ao longo dos últimos anos, Portugal entrou na crise do COVID-19 com mercados de capitais subdimensionados. De acordo com um novo relatório da OCDE, estes mercados devem agora ser mobilizados para apoiar uma recuperação resiliente, dinâmica e sustentável.

A Avaliação da OCDE do Mercado de Capitais de Portugal oferece às autoridades portuguesas, recomendações de políticas que podem ajudar a fortalecer os mercados de capitais a financiar empresas de várias dimensões e fornecer oportunidades de investimento aos aforradores.

A melhoria das condições económicas do país nos últimos anos não se traduziu num aumento da utilização de financiamento no mercado de capitais pelas empresas portuguesas. No final de 2019, existiam apenas 47 empresas cotadas na bolsa portuguesa, apenas um terço do número cotado em 1997. Em vez disso, as empresas dependem fortemente de financiamento bancário, sendo muito poucas as empresas cotadas nos mercados obrigacionistas de longo prazo. O quadro para os mercados de capitais privados é semelhante. Em 2019, a participação portuguesa nos investimentos de fundos privados europeus era inferior a metade da sua participação no PIB da União Europeia.

“Anos de baixa atividade enfraqueceram gravemente o ecossistema do mercado de capitais de Portugal”, disse o Secretário-Geral da OCDE, Angel Gurría, ao apresentar o relatório com Ministro das Finanças de Portugal, João Leão, e com a Comissária Europeia Elisa Ferreira. “Pequenos ajustes não são suficientes. E juntamente com as autoridades competentes, o Governo português está bem preparado para empreender um vasto leque de políticas para dinamizar os mercados de capitais nacionais. Isso ajudará Portugal a construir um setor empresarial mais diversificado, inovador e resiliente, que poderá prosperar num mundo pós-COVID.”

Um importante impedimento ao desenvolvimento do mercado de capitais português é o baixo rácio de poupança e a limitada afetação da poupança em títulos do mercado de capitais. Desde 2000, a poupança líquida agregada das famílias portuguesas tem-se situado entre as mais baixas da União Europeia. É importante salientar que as famílias alocaram quase metade de suas poupanças em depósitos bancários, em comparação com cerca de um terço em França e em Itália. Proporcionar às famílias oportunidades de investimento aliciantes, diretamente ou através de veículos de investimento coletivo, permite mais opções na gestão da suas poupanças e melhores oportunidades de partilha na criação de riqueza do setor empresarial português.

O relatório salienta que a preponderância de pequenas empresas com baixa produtividade impede a capacidade de Portugal de avançar no sentido de uma produção baseada no conhecimento de alto valor agregado e competitividade. Os mercados de capitais mais ativos podem desempenhar um papel importante no crescimento das empresas, aumentando o volume de empresas passíveis de investimento e facilitando o processo de consolidação.

A Avaliação da OCDE do Mercado de Capitais de Portugal, com as principais conclusões e recomendações, está acessível em http://www.oecd.org/corporate/oecd-capital-market-review-portugal.htm/.

O projecto foi financiado pela União Europeia através do Programa de Apoio à Reforma Estrutural  e implementado pela OCDE em cooperação com a Direcção-Geral do Apoio às Reformas Estruturais (DG REFORM) da União Europeia.

Para mais informações, os jornalistas podem entrar em contato com o OECD Media Office (tel. + 33 1 45 24 97 00).

 

Cooperando com mais de 100 países, a OCDE é um fórum estratégico global que promove políticas destinadas a melhorar o bem-estar económico e social das populações a nível mundial.

 

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